segunda-feira, 30 de abril de 2012

Maquiavel era maquiavélico?



Pode parecer estranho, mas o adjetivo “maquiavélico”, derivado do nome “Maquiavel”, nada tem a ver com a personalidade de Nicolau Maquiavel ou Nicolo di Bernardo dei Machiavelli.
Na minha modesta opinião, Maquiavel é muito mais que um pensador que disse em sua mais conhecida obra “O Príncipe”, entre muitas outras coisas, que para um príncipe se manter no poder deveria fazer o bem aos poucos, mas o mal deveria ser feito de uma só vez. Foi desse pensamento que surgiu a ideia de que os fins justificam os meios.


Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) foi o primeiro pensador da Idade Moderna. Talentoso e inteligente, foi alvo de invejosos enquanto trabalhava na segunda Chancelaria da República de Florença como secretário e nunca chegou a ser embaixador, no máximo, lhe confiaram algumas missões diplomáticas na Itália e no estrangeiro, sem que o nomeassem.
Ao contrário do que muitos podem pensar, Maquiavel criticava os exércitos mercenários, como fica claro em sua imortalizada obra. Viveu modestamente até 1512 quando os Médicis retornaram ao poder e o despediram. Então começou a escrever, não poemas como gostaria, mas livros como “Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio”, “História de Florença”, “Tratado sobre a Arte da Guerra” e “O Príncipe” ou “Dei Pricipatibus (dos principados)”.
“O Príncipe” foi dedicado a Lorenzo de Médici, já que Giuliano de Médici, o primeiro eleito para receber a dedicatória, não parecia ser influente o bastante para ajudar o escritor florentino alcançar seu objetivo que era agradar aos novos poderosos e
“... também que a casa dos Médicis me utilize em alguma negociação que esteja para realizar”, como confidenciou certa vez a um amigo. Mas infelizmente isso não foi o suficiente para resolver seu problema.
Digno, pai terno, leal, observador, grande homem e, talvez por isso, motivo de controvérsias e equivocadas interpretações. Isso talvez ocorra por ideias como “as crueldades devem ser feitas de uma só vez e não aos poucos, pois as que são praticadas em breve espaço de tempo parecem menos duras e mais depressa são esquecidas. O bem, ao contrário, deve ser feito em pequenas doses, para que o povo o saboreie”.


“O Príncipe”, um livro de apenas XXVI capítulos, contem preceitos de como um governante deve agir em variadas situações. Um livro estratégico, inteligente e lógico. Todas as exortações nele presentes são frutos de anos dedicados ao governo italiano.
Pode – se chegar à conclusão de que Maquiavel nunca foi maquiavélico, mas conhecedor dos ardis dos homens para chegarem ao poder e jamais perdê–lo. Pena que a maioria dos que fazem uso do termo “maquiavélico” não conheça o pensador que chegou a contradizer Dante nem sua obra – prima.

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